Relatos da condição humana

por Henrique Marques-Samyn

Contos antológicos de Roniwalter Jatobá. Org. Luiz Ruffato. Nova Alexandria, 2009.

Contos antológicos de Jorge Miguel Marinho. Nova Alexandria, 2009.

A Nova Alexandria tem publicado, em sua coleção “Obras Antológicas”, coletâneas de alguns autores representativos. Os volumes editados até o momento são assinados por nomes como Silviano Santiago, Domingos Pellegrini e Solano Trindade – este, o único poeta numa série de livros que vem privilegiando a narrativa curta. Seguindo essa tendência, dois reconhecidos cultores do gênero têm seus textos reunidos em antologias incorporadas à coleção: Roniwalter Jatobá e Jorge Miguel Marinho. Continue lendo

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Moçambique em versos

por Henrique Marques-Samyn

José Craveirinha. Antologia poética. Org.: Ana Mafalda Leite. Editora UFMG, 2010.

Rui Knopfli. Antologia poética. Org.: Eugénio Lisboa. Editora UFMG, 2010.

Luís Carlos Patraquim. Antologia poética. Org.: Carmen Lucia Tindó Secco. Editora UFMG, 2011.

Em tempos de guerra, a poesia, mais que possível, é necessária. Que tematize o próprio conflito não é algo essencial; fundamental é que trate do assunto fulcral da literatura de todos os tempos: a experiência humana, assim resgatando os sentidos solapados pela força das armas. Continue lendo

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Mossoró em Salamanca

por Henrique Marques-Samyn

David de Medeiros Leite. Cartas de Salamanca. Sarau das Letras, 2011.

Dois anos depois de estrear literariamente com os poemas de Incerto caminhar, David de Medeiros Leite publica seu segundo livro, reunindo crônicas escritas durante a permanência em Salamanca, cidade onde obteve seu título doutoral. Ao escrever sobre Incerto caminhar, observei que, em meu juízo, David alcançava melhores resultados quando se afastava dos temas mais abstratos e convencionalmente poéticos para tratar do mundo concreto da Mossoró onde nasceu. Essa leitura, que entrevia em sua obra as qualidades de um acurado observador do cotidiano, confirma-se em Cartas de Salamanca, volume que revela um cronista de escrita leve e olhar acurado. Continue lendo

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À procura da poesia

por Henrique Marques-Samyn

Anderson Braga Horta. Signo. Thesaurus, 2010.

Se consideramos que a trajetória poética de Anderson Braga Horta foi inaugurada por Altiplano e outros poemas, publicado em 1971, percebemos a importância deste Signo, que representa nada menos de quatro décadas de um percurso literário de indiscutível relevância − não apenas para Brasília, onde Anderson reside desde 1960, mas para todo o Brasil, sobretudo se levamos em conta a carência de poetas dispostos a refletir seriamente sobre o próprio métier literário e as práticas poéticas, algo por ele exercido de forma densa e consistente. Continue lendo

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Um romance sem heroínas

por Henrique Marques-Samyn

Rosângela Vieira Rocha. Fome de rosas. Edições Dédalo, 2009.

Ao menos para o autor desta resenha, a capa de Fome de rosas pareceu enganosa. A imagem de uma rosa amarela, com a corola voltada para o leitor e a haste desfocada ao fundo, encerra uma indesejável sugestão kitsch, que sugere um texto do mesmo tipo − sentimental e excessivo, porventura; convencional, sem qualquer dúvida. Não obstante, como em tantos casos, o que promete a capa nada tem a ver com o texto. Aquela imagem, suave e inofensiva, funciona como (inadequado) revestimento para um romance implacável, que tem por tema a entrópica trajetória de três mulheres, pertencentes a uma mesma família, cujo fracasso é determinado por um motivo central: o fato de se dedicarem, com excessivo zelo, aos papéis femininos que lhes impõe a sociedade. Continue lendo

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Oficina literária portátil

por Henrique Marques-Samyn

David Lodge. A arte da ficção. Trad. Guilherme da Silva Braga. L&PM, 2009.

David Lodge, nascido na Inglaterra em 1935, é escritor e professor de literatura. Essa é uma espécie muito comum no meio acadêmico brasileiro, que está cheio de “dublês de escritores”, como diz – adequada e ironicamente – Flávio Moreira da Costa (escritor que, diga-se de passagem, não deixa de exercer uma atividade didática: a publicação de antologias, afinal, tem também a função de formar leitores). Mas Lodge, ao contrário da esmagadora maioria dos dublês de escritores brasileiros, tem uma carreira literária indiscutivelmente bem sucedida: basta dizer que ostenta no currículo duas indicações para o Booker Prize e livros traduzidos para diversos idiomas, entre eles o turco e o japonês. Seus livros, aliás, comumente tematizam – e ironizam – o meio acadêmico: à guisa de ilustração, mencionemos que o protagonista de The British Museum is falling down, de 1965, trabalha numa tese intitulada “The Structure of Long Sentences in Three Modern English Novels”; e Changing Places (1975), Small World (1984) e Nice Work (1988) constituem uma trilogia de “romances universitários”. Continue lendo

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O que nos ensinam as memórias

por Henrique Marques-Samyn

Antonio Carlos Secchin. Memórias de um leitor de poesia.
Topbooks/ABL, 2010.

Desnecessário seria relembrar aqui os méritos de Antonio Carlos Secchin como crítico e pensador da literatura, por tantos já adequadamente destacados; quanto aos mais desavisados, basta que consultem a quarta capa destas Memórias de um leitor de poesia, em que constam trechos de laudatórias declarações de João Cabral (que viu no ensaísta o melhor estudioso de sua obra), Benedito Nunes (a quem Secchin semelha “um poeta que se fez crítico ou simplesmente um poeta-crítico”) e Sergio Paulo Rouanet (para quem o ensaísta “faz a mímese da poesia que comenta”), entre outros. Assim sendo, avancemos para o que de fato importa: o que há de novo, neste novo livro de Secchin? Continue lendo

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